Foto: George Cardoso/BEBOP Comunicação&Cultura
O rapper Maurício PC e a documentarista Júnia Torres, diretores do filme
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A crítica e crônica sociais pós anos 80 no mundo ocidental ganhou grande expressão através de artistas de rua que, desde então, se manifestam através da música, com letras interpretadas no “canto falado” – ou “canto poema”, como trata o poeta e antropólogo Edimilson de Almeida Pereira - e pelas batidas e colagens sonoras do disc-jockey, que contagiam dançarinos e fazem trilha para a arte dos sprays em muros, paredes e demais elementos da paisagem urbana da cidade. Essa é a cultura Hip Hop, surgida no final dos anos 60 no bairro nova-iorquino do Bronx e que facilmente foi assimilada no Brasil nos 80, instaurando-se nessa mesma década nas periferias da capital mineira. Pensado a partir de uma pesquisa sobre a origem e manifestações dessa cultura em Belo Horizonte, o vídeo-documentário “BH TEM HIP HOP”, terá estréia no dia 31 de março, com sessão comentada pelos idealizadores e dos grupos envolvidos, no Teatro Francisco Nunes.
Realizado com os benefícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o filme é um longa-metragem, que contou com a participação de diversos grupos belo-horizontinos representantes da cultural Hip Hop, na concepção e edição, sob a coordenação de Maurício PC e co-direção de Júnia Torres, numa experiência de autoria coletiva.
Nas cenas, as vozes principais são de MCs (rappers), b-boys (dançarinos), artistas de grafitti e DJs da grande BH, em que reportam o cotidiano de seus fazeres artísticos frente às dificuldade impostas pela sociedade com a discussão do papel e importância de cada um dos quatro elementos da cultura Hip Hop. Entre os participantes estão os Djs Roger Dee “Dentinho”, A Coisa e Pool; os grupos de rap SOS Periferia, Face Oculta, Ice Band e os Sobreviventes, Kontrast, Retrato Radical, Deja Vuh; os b-boys Eduardo Sô, Ronaldo Lingüiça e Bit e os grafiteiros Da Lata, Ba e Nadu, entre muitos outros.
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Personagens como realizadores e donos da obra
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Júnia Torres, co-diretora do filme, é antropóloga com mestrado sobre o tema e em 2003 filmou um primeiro documentário, intitulado “Aqui Favela, o Rap Representa”, reconhecido com vários prêmios, entre eles um do Ministério da Cultura. Presidente da associação Filmes de Quintal, responsável pelo festival forumdoc.bh, do qual é uma das idealizadoras, Júnia conta que a idéia desse filme foi a de chamar os próprios integrantes dos grupos para compor o trabalho, propondo uma espécie de autoria compartilhada. A edição do longa contou com a captura de novas imagens dos grupos e também com imagens de material não editado do documentário “Aqui Favela...”. “Esse filme mostra uma visão geral do movimento, passando pelos diversos elementos da cultura Hip Hop. É diferente do ‘Aqui Favela’, que se concentra nos rappers daqui e de São Paulo, com um olhar mais conceitual. No ‘BH Tem Hip Hop’ o que se pretendeu foi uma documentação da cena Hip Hop local, tanto focando grupos atuais, que funcionam aqui como representantes dessa cultura, entre as centenas de grupos hoje existentes na cidade, como procurando resgatar personagens importantes para contar o surgimento dessa história”, acredita Júnia Torres.
B-boy, rapper e fundador de uma das primeiras companhias de dança de rua na cidade, a New BH City Break, e da banda de rap Divisão de Apoio - uma das pioneiras da cena Hip Hop de BH no final dos anos 80, sendo a primeira a incluir músicos além do DJ no set e responsável pela gravação do primeiro CD independente de rap -, Maurício PC imprime no filme um olhar interior da cultura, da qual é ativista e difusor há mais de 20 anos. “O que buscamos foi dar voz direta a quem faz acontecer a cena Hip Hop, nos quatro seguimentos. São muitos os grupos de BH pra abordar num único filme, mas acho que esse pode ser o primeiro duma série”, afirma PC, que faz a sua estréia no audiovisual. No último Festival de Arte Negra (FAN), PC foi um dos que estiveram à frente do Coletivo FAN da Imagem, grupo que reuniu dez realizadores e aspirantes do audiovisual para registrar em vídeo os principais momentos da programação do festival. A iniciativa não parou com o fim do evento, pois PC e outros integrantes fundaram a Associação Coletivo da Imagem, para prosseguir no caminho das câmeras e telas.
Segundo os realizadores do projeto “BH TEM HIP HOP”, as cópias do documentário serão distribuídas entre os participantes. Os grupos registrados poderão ainda participar de atividades de formação (ainda sem data definida), também previstas no projeto, sobre os temas: novas mídias, produção e distribuição de produtos culturais e relação entre a palavra e a música, com renomados profissionais das áreas.
Serviço:
Sessão comentada de estréia do documentário “BH Tem Hip Hop”
Data: 31 de março (segunda-feira), às 19h30
Local: Teatro Francisco Nunes (Parque Municipal - av. Afonso Pena, s/nº, centro)
Informações: (31) 3277-6325 e www.bhtemhiphop.com.br
Ingressos: Entrada franca com distribuição de convites meia hora antes da sessão
Assessoria de Imprensa:
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