A voz ativa e personalidade de
Mano Brown no Noite do Griot
;Líder da banda Racionais MC’s, o rapper vem à capital mineira e participa de momento intimista e revelador com o público em projeto do Centro Cultural Casa África
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No século XIII, ficou conhecida como a Batalha de Kirina, que revelou para a história a saga do grande imperador Sundjata Keita contra o tirano Suamoro Kantê, na criação do poderoso império do Mali, na África ocidental. No exército de Keita, os griots seguiam na frente cantando e tocando e eram os únicos que não podiam ser mortos, para serem porta-vozes da história, como foi o caso do célebre griot Sotigui Kouyaté. Nos dias atuais, outras batalhas de resistência e pela sobrevivência acontecem nas periferias do Brasil.
Foto: Divulgação>
Assim como Kouyaté, um versador segue à frente de comunidades, com seu rap engajado, fazendo que tantos reflitam sobre a dura vida do negro, do pobre, o sistema capitalista opressor, denunciando o racismo e a violência. Esse é Mano Brown, rapper e uma das personalidades mais influentes e respeitadas no hip hop brasileiro, líder da banda paulistana Racionais MC’s, que no dia 6 de abril (terça-feira) participa do Noite do Griot, projeto realizado pelo Centro Cultural Casa África. A partir das 20 horas, com entrada franca no Teatro Alterosa, o rapper, terá a companhia dos músicos Ice Blue (parceiro nos Racionais), Dom Pixote, Du Bronxs e DJ Cia. Em apresentação única e intimista, entremeada de bate-papo com o público, Mano Brown revelará fatos de sua trajetória, influências e referências. >
Comemorando 5 anos de criação, o projeto Noite do Griot presta reverência à Tradição Oral, através de momentos intimistas, aproximando o artista e o público. Nesta 5ª edição, a equipe da Casa África inovou, iniciando com uma atração fora de Minas Gerais, ao levar o paulistano Rappin’ Hood para Porto Seguro. Em março, o compositor, cantor e agitador cultural baiano Carlinhos Brown deu início às atrações do projeto em Belo Horizonte. Até junho, participarão da Noite do Griot a poeta, atriz e cantora Elisa Lucinda, dia 27 e abril; o mineiro Marku Ribas, em maio; e, em junho, o senegalês Zal Idrissa Sissokho, primeiro africano a se apresentar no evento.
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Realizado através do Fundo Nacional de Cultura, com produção de Karú Torres e Cristina Gandra, o evento tem entrada franca, com ingressos limitados a um por pessoa, que serão distribuídos antecipadamente a partir do dia 05/04, no horário de funcionamento da bilheteria do teatro. O cenário dessa edição foi concebido especialmente pelo artista plástico e cartunista Cau Gomes, belorizontino radicado há mais de uma década em Salvador.
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Sobre Mano Brown
Em 1988, com integrantes das periferias das zonas Sul e Norte da maior capital do país, surgia o grupo de rap Racionais MC’s, apresentado pela coletânea Consciência Black (primeiro disco do selo Zimbabwe). Entre os parceiros Ice Blue, Edi Rock, e o DJ KLJay, estava o garoto, com apenas 18, Pedro Paulo Soares da Silva, mais conhecido Brasil a fora sob a alcunha de Mano Brown.
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À frente na composição da maioria das músicas como letrista principal, Mano Brown e os Racionais MC’s estrearam em 1990, com o álbum Holocausto Urbano. Mas o sucesso nacional veio em 1997, com o lançamento de Sobrevivendo no Inferno, em que o clipe da música Diário de um detento foi premiado no Vídeo Music Brasil (VMB), da MTV. Ao todo na discografia, o grupo já contabiliza nove discos, sendo o último Tá na Chuva (2009), e preparam ainda para lançar antes da Copa do Mundo da África do Sul o novo trabalho, guardado a sete chaves.
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Com rimas precisas e discurso ácido e afiado, os Racionais MC’s tornaram-se o grupo porta-voz dos oprimidos das favelas de todo país. Voltando a atenção nas letras para a realidade dos que vivem na periferia, conquistaram fama, respeito e fãs até entre pessoas da classe média, sendo o único grupo de rap no Brasil que atingiu a marca de 1,5 milhões de discos oficialmente vendidos – sem contar outros quase quatros milhões difundidos pela pirataria.
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No ofício da palavra para construir as mensagens do grupo, Brown traz à realidade brasileira a luta ideológica contra a opressão do sistema que coloca negros e pobres em condições excludentes, inspirando-se em nomes como Malcom X e H. Rap Brown, ministro da Justiça do grupo estadunidense Panteras Negras.
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Entre vários prêmios, o grupo já recebeu da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), em 1994, pela escolha de Homem Estrada como melhor música do ano.
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Em 1997, eles criaram o selo e gravadora próprios, a Cosa Nostra, que lançou primeiramente Sobrevivendo no Inferno, além dos trabalhos seguintes. Agora, preparam para lançar em 2010 o novo disco, além de produções de outros artistas, a exemplo da Banda Black Rio.
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Noite do Griot – 5 anos
Entre os vários projetos, o Noite do Griot surgiu em 2005, com especial carinho do CCCA, para valorizar as tradições da matriz africana de expressão oral, da poesia à música com heranças na afrobrasilidade, nos mais variados gêneros e geografias culturais. “Pela organização perfeita, pelo seleto público que acorre aos eventos e pela firmeza de propósitos que motiva os organizadores, o Noite do Griot é um grande destaque em meio ao grande número de projetos vazios, amadorísticos, que vêm, por puro oportunismo, ocupando a cena cultural afrobrasileira”, defende Nei Lopes, sambista e compositor carioca que participou do projeto em 2008.
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O Noite do Griot é quase um teste para o artista, pois despindo-o de todo aparato tecnológico para um formato acústico e menos plugado possível, sem uma quantidade numerosa de músicos, quem sobe ao palco encontra-se, praticamente, na sua essência artística, reservada ao artista na maioria das vezes nos momentos de criação solitária. A cantora paulistana Fabiana Cozza, está entre aqueles que encantaram-se pelo projeto e acredita que “o Noite do Griot quebra a dita 4ª parede que tanto se fala no teatro com relação ao público, já que ele (o público) entra e participa no espetáculo. Não adianta muito o artista ter um roteiro a seguir, pois o público dita um pouco sobre o que vai ser apresentado. Além disso, o artista que está nesse palco sente-se ‘desnudado’ diante do espectador, pela condição intimista, da proximidade, pela fala mais coloquial e direta. Isso nos conduz a um lugar muito ancestral, muito africano, de transmissão da palavra e arte na essência”.
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Na busca de apresentar a diversidade das heranças africanas no Brasil, o Noite do Griot prima por mostrar artistas dos mais variados estilos, do samba ao rap, passando pela música mais experimental atingindo até tradições mais reservadas aos quilombos e comunidades rurais, como é o caso do congado e candombe em Minas. “O projeto é muito bem pensado. Vejo e sinto que é necessário para divulgar no país nossas matrizes africanas. Senti-me muito feliz ao participar, revelar a oralidade que trago como espelho no meu trabalho artístico, de transmitir as coisas da minha infância, que foram passadas por meus pais, que por sua vez receberam dos meus avós. Como minha música tem essa matriz no meio rural, para mim foi importante ter essa interlocução na área urbana. São poucos projetos que tem essa abertura para entender essas matrizes africanas que estão no campo”, acredita o violeiro e cantor Pereira da Viola.
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Sobre Griots
O trânsito secular de saberes por meio da Tradição Oral, através de pessoas que eram e são guardiãs de grande parte da história de nações inteiras, das quais versam sobre as glórias do passado de dinastias dos grandes impérios africanos, até a preservação de rituais e preceitos que coexistem nas sociedades atuais. Esses são os chamados griots, que mais que pessoas comuns são dotados de profundo conhecimento transmitido geração a geração, tendo ainda muitas habilidades artísticas, como a música, retórica e a poesia, muitas vezes transmitidas em locais públicos, seja em praças ou embaixo de frondosos baobás. Num passado de inexistência de livros, foram esses griots os responsáveis por perpetuar a história e costumes de suas sociedades, tanto que os jovens africanos que primeiro partiram para a Europa para estudar diziam que “a morte de um griot representa o mesmo que a queima de uma biblioteca”.
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Serviço:
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Noite do Griot 2010 – Mano Brown
Data: 06 de abril (terça-feira), às 20 horas
Local: Teatro Alterosa (av. Assis Chateaubriand, 499, Floresta)
Entrada franca – retirada dos ingressos limitados a um por pessoa, a partir do 05/04, na bilheteria do teatro, de 12 às 19h30
Classificação: 18 anos
Informações: (31) 3237-6611
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Assessoria de Imprensa:
BEBOP Comunicação & Cultura
(31) 3224-1251 e bebop@bebopcomunicacao.com
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